Uma cibersegurança eficaz exige uma abordagem abrangente e holística. Essa abordagem aplica múltiplos controles em diferentes superfícies de ataque, como defesas de perímetro (firewalls e VPNs), proteção de endpoints, gestão de identidades e segurança de dados. Cada camada aborda vetores de ameaça específicos e, juntas, oferecem uma proteção que é maior do que a soma de suas partes.
Isso exige uma intenção clara de pensar nessas camadas e implementá-las estrategicamente de forma complementar, para maximizar a eficácia de todas. Caso contrário, ao juntar soluções pontuais e isoladas para tratar ameaças específicas, é inevitável que surjam lacunas por onde riscos possam passar.
Em vez de adquirir e gerenciar diversas ferramentas esperando que funcionem bem juntas, os profissionais de segurança devem considerar como essas soluções podem se integrar desde o início da definição da estratégia. Assim, é possível ganhar eficiência e até identificar um fornecedor mais adequado.
Uma dessas combinações é a integração entre soluções de IRM (Gestão de Riscos Internos) e DLP (Prevenção de Perda de Dados).
Tanto o IRM quanto o DLP têm como foco a proteção dos dados organizacionais, mas sob perspectivas diferentes. O IRM avalia e monitora as pessoas que têm acesso aos dados, enquanto o DLP controla o que acontece com os próprios dados. Veja como essas duas abordagens podem funcionar melhor juntas.
O que é IRM (Insider Risk Management)?
A Gestão de Riscos Internos (IRM – Insider Risk Management) é um framework e um conjunto de práticas voltados para identificar, avaliar e mitigar riscos representados por pessoas com acesso legítimo aos recursos de uma organização, como funcionários, contratados e parceiros de negócios.
Do ponto de vista de ameaças e riscos, o IRM abrange insiders mal-intencionados, negligência e credenciais comprometidas — fatores que representam uma grande parcela dos incidentes de segurança. Em 2024, 83% das organizações relataram um ataque interno, e em 2025, as ameaças internas custaram às organizações uma média de US$ 17,4 milhões por ano.
A gestão de riscos tradicional trata ameaças externas à operação da organização, enquanto o IRM foca especificamente nos riscos internos — intencionais ou não — decorrentes do acesso a sistemas, ativos, dados e outras informações sensíveis.
Como parte de uma estratégia de IRM, as organizações devem definir, por exemplo:
- Quais funcionários lidam com dados sensíveis?
- Quais funções possuem privilégios elevados nos sistemas?
- Quais processos de negócio criam oportunidades para o uso indevido de dados?
Um funcionário em processo de desligamento com acesso a bases de dados de clientes representa um risco diferente de um administrador de sistemas com acesso root a servidores de produção. Compreender essas diferenças permite mapear cenários potenciais de incidentes.
Embora o IRM envolva ferramentas e processos, a avaliação de risco vem primeiro. Antes de investir em softwares de monitoramento ou estabelecer protocolos de resposta, as organizações devem entender sua postura atual de risco. Isso inclui inventariar os ativos de dados e documentar quem tem acesso a quê, ajudando a identificar lacunas nos controles existentes.
Um IRM eficaz começa pela identificação dos riscos e pela avaliação do seu escopo. A partir daí, as organizações podem investir em ferramentas e ajustes de processos.
É nesse ponto que o DLP entra em cena. Uma vez compreendido o panorama de riscos internos, é possível configurar controles de dados que respondam diretamente aos cenários identificados.
O que é DLP (Data Loss Prevention)?
Prevenção de Perda de Dados (DLP – Data Loss Prevention) refere-se às tecnologias e aos processos usados para impedir que dados sensíveis saiam do controle da organização. O DLP abrange todas as formas de perda de dados, seja por exfiltração maliciosa, exposição acidental ou proteção inadequada.
O DLP faz parte da segurança de dados como um todo, que inclui criptografia, controles de acesso, backup e recuperação, infraestrutura de armazenamento seguro e protocolos de transmissão segura. Dentro desse conjunto mais amplo, o DLP atua como a camada de aplicação e fiscalização, garantindo que os dados sejam protegidos e armazenados de forma a minimizar vazamentos e exposições.
As ferramentas de DLP são projetadas especificamente para monitorar dados em três estados:
- Em repouso (por exemplo, quando armazenados em um servidor)
- Em trânsito (quando trafegam pela rede)
- Em uso (quando estão sendo utilizados em um aplicativo)
A visibilidade é um componente essencial de um DLP eficaz. Sem a visibilidade adequada, o DLP simplesmente não funciona. As organizações precisam saber onde os dados sensíveis estão armazenados, quem os acessa, como eles circulam pelos sistemas e por onde saem da organização. Por exemplo, um sistema de DLP pode bloquear uploads não autorizados para a nuvem — mas apenas se conseguir identificar quais arquivos contêm informações sensíveis e reconhecer quando uma tentativa de upload ocorre. Isso exige varredura contínua dos repositórios de arquivos e classificação dos dados.
Mesmo com os melhores processos e ferramentas, pontos cegos ainda podem resultar em vazamentos e violações de dados, já que erros humanos são comuns. Não por acaso, 95% das violações de dados em 2024 foram atribuídas a erro humano.
É aqui que o IRM desempenha um papel importante. O IRM ajuda a preencher a lacuna de visibilidade ao focar no comportamento dos usuários e nos padrões de acesso. Ao avaliar os riscos internos, as organizações mapeiam quem tem acesso a quais dados e identificam padrões que indicam uso indevido ou comprometimento. Essa visibilidade comportamental complementa os controles técnicos do DLP.
Ao entender como esses elementos funcionam, os líderes de segurança podem começar a identificar as sobreposições entre ambos e garantir que atuem de forma estratégica e integrada. A seguir, estão as principais áreas de sobreposição a serem consideradas.
O IRM pode identificar usuários de alto risco, mas carecer de controles técnicos para monitorar suas atividades sobre os dados. Já o DLP pode sinalizar transferências suspeitas de arquivos sem entender se o usuário envolvido tem uma justificativa legítima de negócio ou representa um risco elevado. No entanto, quando ambos atuam em conjunto, conseguem “conversar” entre si e identificar riscos potenciais muito mais cedo, antes que se tornem um problema.
As organizações podem identificar indicadores de comprometimento ao compreender os padrões normais de acesso para cada função e, em seguida, sinalizar desvios — como profissionais da área financeira acessando documentos de engenharia ou representantes de vendas exfiltrando volumes de dados incomumente grandes. Isso é muito mais eficaz quando IRM e DLP estão funcionando em plena capacidade.
Próximo passo: por meio de ferramentas e políticas documentadas, identifique seus indicadores de comprometimento — especialmente os baseados em comportamento — e garanta que eles sejam referenciados e revisados tanto nas estratégias de DLP quanto de IRM. Ao assegurar que esses indicadores estejam cobertos em ambas, as ações resultantes (remoção de acessos, isolamento do usuário ou alertas ao SOC) mitigam os riscos de forma mais eficaz em todas as frentes.
O DLP garante a mitigação do risco interno ao estabelecer práticas seguras de proteção de dados. Por exemplo, o princípio do menor privilégio restringe o acesso aos dados apenas ao necessário para cada função, reduzindo significativamente o risco de ataques internos.
Por outro lado, falhas no IRM normalmente levam à perda de dados, pois uma ameaça consegue acessar informações que não deveria ou explorar permissões desnecessárias. Ao implementar soluções ou processos que limitem e evitem acessos desnecessários a dados ou privilégios elevados, é possível mitigar riscos associados tanto ao IRM quanto ao DLP. Isso inclui modelos de segurança Zero Trust, que exigem verificação contínua da identidade do usuário e da integridade do dispositivo antes de conceder acesso aos dados. Sistemas de identidade e controle de acesso reforçam requisitos de autenticação e limites de permissões.
Essas práticas apoiam o DLP ao reduzir a superfície de ataque — ou seja, menos pessoas têm acesso aos dados, diminuindo o risco interno.
Próximo passo: priorize a adoção das estratégias acima por meio de ferramentas, processos e políticas. Reduzir o acesso geral com base em função, papel e usuário fortalece tanto o IRM quanto o DLP e é uma das formas mais eficazes de minimizar riscos sem comprometer a agilidade.
Como aconselha o Chief Technology Officer Zbyněk Sopuch:
“Os líderes de segurança devem enxergar o IRM e o DLP como duas camadas de uma mesma estratégia: segurança centrada em dados enriquecida por inteligência comportamental. Alinhar ambas garante proteção contra ações internas acidentais e maliciosas, mantendo a produtividade do negócio.”
A cibersegurança funciona melhor como uma abordagem em múltiplas camadas. Garantir que a equipe esteja alinhada com essas prioridades e estratégias ajuda a organização a alcançar uma defesa em camadas. Os líderes de segurança devem trabalhar com suas equipes para entender como diferentes controles interagem e se reforçam mutuamente. Quando os responsáveis pela resposta a incidentes sabem que o DLP pode fornecer contexto sobre quais dados um insider acessou, eles conseguem priorizar investigações com mais eficiência.
Da mesma forma, quando administradores de DLP entendem quais usuários foram sinalizados pelo IRM como de risco elevado, podem aplicar o monitoramento adequado sem gerar um volume excessivo de falsos positivos para toda a organização. Isso cria ganhos significativos de eficiência em diversas frentes estratégicas.
Ao integrar IRM ao DLP — e vice-versa — as organizações alcançam uma postura de cibersegurança mais robusta sem a necessidade de investir mais tempo ou recursos.
A Safetica oferece recursos de IRM e DLP em uma única plataforma. Com a Safetica, as organizações implementam um único sistema em vez de coordenar soluções de fornecedores distintos de IRM e DLP, reduzindo a complexidade de integração que pode gerar lacunas de segurança.